- 00:14:00
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A vida pede passagem
Por entre as minhas incertezas
E se eu fico, eu paraliso
Me agarro a terra, enterro o que não é mais meu
Como se fosse ainda florescer, mas não
A morte não pede
A morte devora
- 00:14:00
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Olhei a mim como se tu me olhasses
Despida dos esforços de tentar ser outra
Crua e quase irreconhecível no espelho
Que dor é essa que sinto em minhas entranhas sem que faca alguma perfure minha carne?
Que desejo é esse que me faz querer ser um receptáculo de sofrimento inquebrável como se fosse força que me transbordasse?
Que liberdade é essa que tanto me foi vendida que mais parece uma prisão quando começo a acreditar que que é minha culpa, só minha, toda essa solidão?
Não sei se olhei primeiro para as costas doídas ou para o sexo exposto a um desejo servil, mas quando notei a mulher que eu era
Ela olhou de volta para mim
Ela tinha um olhar cansado e caloroso, olhar de mãe sabe?
E eu quis dizer pra ela que hoje ela podia dizer NÃO
Nos perguntamos juntas, eu e ela, sobre a cor das nossas peles, o tamanho do beiço sempre grande demais e os cabelos quase lisos, quase.
Alguns pedaços valem mais do outros, mas quanto vale o corpo inteiro?
Não sou nada, nunca serei nada
A parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo
Será?
Sinto que, desde esse olhar, os sonhos me escorrem como sangue por entre as pernas
Restando talvez apenas um
O sonho de habitar o vazio misturado a estranha possibilidade de estar junto
ainda e apesar de tudo
- 00:12:00
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A tempestade chegou com uma pequena explosão e foi crescendo, expandindo sua energia e sua força como um corpo vivo e potente, eu sabia pelo barulho estrondoso que rasgava o céu, pela luz a desafiar a escuridão nebulosa em clarões, eu sentia a energia a se amplificar também em mim
A vibração do meu corpo era também um presságio da chuva que iria ainda encharcar a terra e os meus anseios, do cheiro que iria ainda contaminar as minhas memórias
Como encontrar-me contigo, o barulho estrondoso me acalma, a energia que foge ao meu controle, a produzir em tantos outros sussurros de medo, me encanta, me deleito com a beleza do perigo anunciado
Eu permaneço e me permito invadir pelo movimento intransigente do desejo e pela promessa da chuva dentro em mim, da água do prazer que transborda, da água que convida pra dança, da água que leva embora o que já não é
A tempestade me alcança e eu me deixo alcançar e é pela intensidade do toque entre os nossos sentidos que me encharco dos anseios aos sonhos, que me percebo enebriada do cheiro e do gosto de cada gota de chuva a tocar minha pele
Como quem silencia após a melodia que destituiu de palavras os sentidos, a tempestade vai embora, leva a chuva para longe num carinho sorrateiro que toca infinito até não ser mais
A vibração do meu corpo era também um presságio da chuva que iria ainda encharcar a terra e os meus anseios, do cheiro que iria ainda contaminar as minhas memórias
Como encontrar-me contigo, o barulho estrondoso me acalma, a energia que foge ao meu controle, a produzir em tantos outros sussurros de medo, me encanta, me deleito com a beleza do perigo anunciado
Eu permaneço e me permito invadir pelo movimento intransigente do desejo e pela promessa da chuva dentro em mim, da água do prazer que transborda, da água que convida pra dança, da água que leva embora o que já não é
A tempestade me alcança e eu me deixo alcançar e é pela intensidade do toque entre os nossos sentidos que me encharco dos anseios aos sonhos, que me percebo enebriada do cheiro e do gosto de cada gota de chuva a tocar minha pele
Como quem silencia após a melodia que destituiu de palavras os sentidos, a tempestade vai embora, leva a chuva para longe num carinho sorrateiro que toca infinito até não ser mais
- 20:59:00
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Eu não deixei de ser quem eu sou
porque você foi embora
Eu não deixei morrer
o que se fez de mim
quando encontrei você
Só porque você partiu
Eu fiz questão de manter por perto
Todos esses pedaços
que ainda que nossos
são meus também
Porque eu me apaixonei por eles
Eu me apaixonei por quem eu fui junto com você
Eles sangram pela tua ausência
Mas eles também me fazem sorrir
sozinha e desapercebida
no meio dos dias
Eu me lembro da paz inquieta que compartilhamos
e sorrio por poder reconhecer que ela ainda está em mim
Eu me pergunto pra onde vai todo esse afeto que eu ainda direciono pra você todos os dias
Se ele te alcança e te faz pensar em mim também
Se algum dia ele vai guiar teus passos até os meus novamente
Se está tudo bem amar alguém na distância
e no silêncio do que já se foi
e no silêncio do que já se foi
O quanto disso me faz livre pra sentir
ou prisioneira tua
ou prisioneira tua
Se eu não preciso aprender a te dizer adeus
ou se tá tudo bem você ficar um pouco mais
ou se tá tudo bem você ficar um pouco mais
Eu
me pergunto se não da pra ser feliz só com esses pedaços
e às vezes eu acho que dá
às vezes eu sonho com a parceria que eu sempre quis
e às vezes eu acho que dá
às vezes eu sonho com a parceria que eu sempre quis
Estar
em cima do muro parece até engraçado já que não tem ninguém do outro
lado do muro
mas parece tão dolorido escolher
Talvez eu não precise se eu continuar em silêncio
mas parece tão dolorido escolher
Talvez eu não precise se eu continuar em silêncio
- 00:39:00
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Hoje eu dispenso
As palavras que já foram escritas
E aquelas que foram ditas
Com o coração ardendo em brasa
Hoje eu dispenso
O calor que permaneceu na minha pele
Mesmo depois que o frio havia chegado
Deixo pra trás
Os sorrisos que eu mesma inventei
Quando fiz voar meus sonhos
Na companhia dos teus
Deixo pra trás
O desejo dos olhos que atormentou meu corpo
E invadiu as noites
Que já eram minhas e da solidão
Rasgo em pedaços minha coleção de ausências
Arranco da pele os resquícios de não te encontrar
Sigo trêmula, doída, inteira
O nome disso não é saudade
As palavras que já foram escritas
E aquelas que foram ditas
Com o coração ardendo em brasa
Hoje eu dispenso
O calor que permaneceu na minha pele
Mesmo depois que o frio havia chegado
Deixo pra trás
Os sorrisos que eu mesma inventei
Quando fiz voar meus sonhos
Na companhia dos teus
Deixo pra trás
O desejo dos olhos que atormentou meu corpo
E invadiu as noites
Que já eram minhas e da solidão
Rasgo em pedaços minha coleção de ausências
Arranco da pele os resquícios de não te encontrar
Sigo trêmula, doída, inteira
O nome disso não é saudade
- 23:16:00
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O amor é impossível
Eu disse
Mas não quisera acreditar
Depois de tantos corpos mortos
Devastados por amar demais
Depois de tanto desencontro
Eu duvidava
Porque dá um gosto amargo na boca
Deixa a gente meio solto
sem saber pra onde ir
Nos obriga a desviar do caminho seguro
dos sonhos sonhados há tempo demais
Adentrar nos atalhos desconhecidos de nós
São estúpidas as declarações de amor
Entre desejos e limites que não se encaixam
Entre ilusões a esconder o que nos escapa
O amor se torna possível em cacos
Na tentativa sempre imperfeita
de colar pedaços que não se ajustam mais
Na estrutura meio torta e inacabada
Que permanece em sua beleza
Incomoda e indispensável
Na impossibilidade do amor, porém
Há de haver o amar
o amar nos detalhes insignificantes
nos pedaços de vida
que a gente encontra pelo caminho
na nossa resistência à indiferença transbordante das faces mornas
no quanto conseguimos
fazer o tempo desacelerar
na espera e no quase insuportável
na esperança calejada
de quem apanhou mais do que merecia
mas insiste em acreditar
Insiste ainda em acreditar
Eu disse
Mas não quisera acreditar
Depois de tantos corpos mortos
Devastados por amar demais
Depois de tanto desencontro
Eu duvidava
Porque dá um gosto amargo na boca
Deixa a gente meio solto
sem saber pra onde ir
Nos obriga a desviar do caminho seguro
dos sonhos sonhados há tempo demais
Adentrar nos atalhos desconhecidos de nós
São estúpidas as declarações de amor
Entre desejos e limites que não se encaixam
Entre ilusões a esconder o que nos escapa
O amor se torna possível em cacos
Na tentativa sempre imperfeita
de colar pedaços que não se ajustam mais
Na estrutura meio torta e inacabada
Que permanece em sua beleza
Incomoda e indispensável
Na impossibilidade do amor, porém
Há de haver o amar
o amar nos detalhes insignificantes
nos pedaços de vida
que a gente encontra pelo caminho
na nossa resistência à indiferença transbordante das faces mornas
no quanto conseguimos
fazer o tempo desacelerar
na espera e no quase insuportável
na esperança calejada
de quem apanhou mais do que merecia
mas insiste em acreditar
Insiste ainda em acreditar
- 23:09:00
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